RENZO PIANO – Duas Obras Importantes Deste Grande Arquiteto

Renzo Piano

Fonte: arquitetonico.ufsc.br/renzo-piano

As obras de Renzo Piano são surpreendentes em alcance e são completas em sua diversidade de escalas, materiais e formas. Piano não se cansa de produzir a sua fantástica arquitetura high-tech que fascina qualquer pessoa desde o seus meros esquissos carregados de simbolismo, às suas imponentes construções envoltas de um característico misticismo e magia que dão toda a vida às suas obras. Alguns arquitetos têm seu estilo pré-definido, mas o que os diferencia de Piano, é que ele busca simplesmente aplicar um conjunto de idéias coerentes a novos projetos de formas extraordinariamente diferentes. “Uma das grandes virtudes da arquitetura radical, é que cada obra é como um novo começo de vida. Um arquiteto enfrenta um novo mundo a cada projeto – afirma Piano”. Isso explica a diversidade de suas obras, não basta apenas passar os olhos por seus projetos tão variados, pois diferente de muitos arquitetos, ele não se encaixa no perfil, ‘viu uma obra, viu todas’.

Escolhi dois projetos para ilustrar essa pluralidade presente em seus projetos, a Academia de Ciência da Califórnia e a London Bridge Tower.

Academia de Ciência da Califórnia


A Academia de Ciência da Califórnia é uma referência no uso de tecnologias sustentáveis para estruturas de uso público, o prédio reúne numa só estrutura: Aquário, Planetário, Museu de História Natural, floresta tropical indoor, além do telhado verde, que é composto por mais de um milhão de mudas nativas e selvagens, responsáveis por amenizar a temperatura no interior do prédio e pela absorção de 60% da água da chuva. O telhado é composto por janelas que possuem sensores de temperatura, com isso não é necessário o uso de um sistema de ar refrigerado central.

O prédio concentra os departamentos da academia, antes divididos em 12 prédios, construídos ao longo de oito décadas, numa construção totalmente integrada ao seu novo endereço, cercada pelo verde do Golden Gate Park.

A Academia é um modelo em eficiência do uso da água, pois além da absorção da água da chuva, ele também utiliza de água do Oceano Pacífico no aquário e reusa a água da cidade de São Francisco nos sistemas que abastecem o prédio.

A idéia de Piano ao usar vidro nas fachadas era conectar as pessoas ao parque, possibilitando que elas observassem também o entorno do prédio. Cerca de 20% da eletricidade usada no prédio vêm da energia solar, as janelas encontradas no telhado além de terem função de refrigerarem o ambiente também possuem células fotovoltaicas embutidas nos vidros.

Além de todas as soluções sustentáveis já citadas os prédio é feito de materiais recicláveis, as paredes são revestidas com um composto que os  inclui material de jeans reciclado para isolamento térmico; do concreto e aço usados na estrutura, 50% são reciclados de outras construções e projetos.

London Bridge Tower

Localização
Southwark, Londres, Inglaterra

A London Bridge Tower está localizada em Southwark, é adjacente à estação London Bridge, essa proximidade da estação facilita o acesso ao prédio, o que é muito importante, pois o edifício foi concebido como uma pequena cidade vertical, na qual dezenas de milhares de pessoas trabalharão. Ele possuirá  306 metros de altura com uma área total de 90.000 m2.

A inspiração para a forma vem das mãos das igrejas de Londres e as velas em cima dos navios que foram utilizados para atracar no Tamisa. O plano é gerado pela natureza irregular do terreno. Cada fachada é um fragmento, um plano suavemente inclinado de vidro dentro, os cantos estão abertos e as peças não se tocam, isso permite a construção de respirar sem problema.

O prédio tem um uso misto, no térreo temos uma praça,ela foi desenhada para ser um ponto de permuta de tráfego, onde atenderia a London Bridge Station, a praça é um ambiente urbano contemporâneo formado por granito, vidro e aço, possibilitando a realização de eventos públicos, tais como exposições de arte.  Logo acima temos os andares de escritórios, depois temos uma praça intermediária, é a maior e tomará três andares do prédio. As galerias intermediárias terão como tema “Londres, Passado, Presente e Futuro”, que permitirá ao visitante uma experiência, em realidade virtual, dos locais, sons e aromas de Londres no passado e no futuro. Nos andares superiores serão os andares de hotel e residencial, logo acima teremos as galerias altas, terão uma função de mirante, onde os visitantes poderão contemplar uma bela vista da cidade de Londres, elas estarão localizadas no 65° andar.

O edifício terá a energia 30% menor do que o normalmente exigido pelos métodos convencionais de edifícios altos, conseguirá essa diminuição nos gastos de energia através de alguns fatores,como por exemplo:

-a fachada ventilada de pele dupla irá reduzir consideravelmente o calor e aumentar os níveis de conforto sobre o edifício, permitindo o máximo de luz natural;

-o excesso de calor gerado pelos serviços será utilizado para aquecer o hotel e apartamentos;

-qualquer excesso é dissipado naturalmente através de um radiador no topo da torre;

- existem estufas de ventilação natural em cada piso, o que permite que os usuários do espaço se conectem ao ambiente externo.

As razões de se desenvolver tal empreendimento


- Londres necessita ser adensada, mas o adensamento somente é sustentável se ocorrer onde à infra-estrutura da cidade o tornar possível e desejável.Trilhos e ruas na superfície, como a rede subterrânea abaixo, criou um sistema de veias e artérias, carregando energia como em um ser vivo. A torre surgirá na intersecção destas. Isto é exatamente o que ocorrerá na London Bridge: nada de estacionamentos ou tráfego de carros; a população da torre usará transporte público, o sistema arterial da Cidade.

-Southwark necessita ser reestruturada economicamente, ela necessita de novos escritórios e ganhar um renovado balanço entre diferentes comunidades.

-Southwark necessita ser reurbanizada. Precisam ser criados padrões mais permeáveis de ruas. A estrada de ferro tem trabalhado como uma barreira entre a vizinhança e rio Tamisa.

Apesar de ambas as obras terem como diretriz de projeto a sustentabilidade, Piano conseguiu fazer dois projetos bem distintos, sem perder a qualidade . Essa surpresa a cada projeto que o arquiteto nos proporciona é o que mais me fascina nele, acho que nós futuros arquitetos, ou mesmo os arquitetos já formados, deveríamos nos dedicar muito para fazermos sempre uma arquitetura nova, que renasça a cada projeto, que fascine as pessoas e não acomodarmos com uma forma que já deu certo antes, adaptarmos projetos anteriores, assim como todas as pessoas são diferentes, acho que todos os projetos também deveriam ser, para que com isso as nossas obras permitam o estranhamento, a reflexão e a contemplação de todo o conjunto, por parte do espectador.

Fonte: arquitetonico.ufsc.br/renzo-piano

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